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Consultas Nacionais trazem diversidade na 4ª CNPM

por publicado: 12/05/2016 21h00 última modificação: 12/05/2016 22h52
Diversidade de mulheres garantiu colorido a 4ª CNPM. Foto por Paulo Negreiros.

Diversidade de mulheres garantiu colorido a 4ª CNPM. Foto por Paulo Negreiros.


Brasília, 12 de maio de 2016 - Indígenas, quilombolas, mulheres de terreiros, transexuais, ciganas, mulheres com deficiência. As consultas nacionais a estes segmentos trouxeram mais cores, ritos, cultura, arte e conhecimento para a 4ª Conferência Nacional de Políticas paras as Mulheres (4ª CNPM), que mobilizou, nas etapas reparatória mais de 150 mil pessoas.

Foi a primeira vez que se realizou consultas específicas para identificar anseios de mulheres tão diversas. Além da discussão de propostas para as comunidades, mulheres de todos estes grupos tiveram a oportunidade de participar da 4ªCNPM de forma ativa, com direito a voto, já que foram delegadas por suas comunidades como representantes. Eleitas delegadas, elas compareceram em peso tornando o espaço plural e verdadeiramente democrático.

Seis consultas específicas foram realizadas desde novembro de 2015, quando representantes quilombolas, de matriz africana e de terreiros se reuniram em Brasília. As discussões iniciadas na ocasião prosseguiram durante a Conferência com as contribuições de Zilda Pascoal.

Representante da Comunidade Quilombola de Santo Amaro, na Bahia, Pascoal voltou à capital federal para a 4ª CNPM. De acordo com a baiana, a educação dos jovens da comunidade, a manutenção da agricultura familiar que sustenta os quilombos e a valorização da mulher quilombola foram demandas trazidas para a ConferênciaNacional. “Tenho dez anos de militância, participando de conferências e lutando pela igualdade, pelo respeito e pelo empoderamento das negras. Queremos nosso espaço e oportunidades iguais para homens e mulheres”, reivindicou.

 

Zilda Pascoal: " pela igualdade, pelo respeito e pelo empoderamento das negras"

Legenda: Zilda Pascoal: " pela igualdade, pelo respeito e pelo empoderamento das negras"


Em março de 2016, foi a vez das mulheres com deficiência, como Camila Indalécio. A jovem, que participa de discussões sobre políticas públicas há cerca de um ano, veio da capital paulista para representar a Associação Brasileira de Surdocegos (ABRASC). “Sou a primeira surdocega a participar de uma Conferência Nacional e isso é emocionante. Estou tendo a acessibilidade que precisava: o material em braile, a intérprete e, assim, a compreensão das outras mulheres”, destacou.

Segundo ela, as mulheres com deficiência nem sempre têm a acessibilidade garantida em grandes eventos como a 4ª CNPM. Uma mulher surda, por exemplo, precisa de um intérprete de libras, enquanto que, uma mulher cega, necessita de acesso a materiais em braile. “Os conteúdos devem ser adaptados para que as informações sobre nossos direitos cheguem a todas”, completou.

 

Camila Indalécio: “Sou a primeira surdocega a participar de uma Conferência Nacional e isso é emocionante. Foto por Paulo Negreiros.

Legenda: Camila Indalécio: “Sou a primeira surdocega a participar de uma Conferência Nacional e isso é emocionante


As ciganas também vieram a Brasília no mês de março para a Consulta Nacional e Maura Piemonte participou desse encontro. A cigana pertence à etnia dos Calon e, atualmente, vive na cidade de Atibaia, no estado de São Paulo. “Para a Conferência, ainda viemos em busca de visibilidade. Há apenas doze anos, surgiram as primeiras oportunidades para dizermos ‘eu existo’. Só o fato de estarmos aqui já é muito importante para nós”, comemora.

Em relação às necessidades da comunidade cigana, Piemonte destaca questões nas áreas de saúde, educação e segurança e avisa: a luta por mais direitos, mais participação e mais poder está apenas começando. “Temos que lutar para que a Conferência, de uma brecha para mais direitos, transforme-se em uma grande porta!”

 

Maura Piemonte: "Temos que lutar para que a conferência se transforme em uma grande porta". Foto por Paulo Negreiros.

Legenda: Maura Piemonte: "Temos que lutar para que a conferência se transforme em uma grande porta"


A comunidade indígena discutiu propostas específicas e elegeu representantes em consulta no mês de abril. O encontro contou com a presença de Édina Marajoara, pajé do povoado da Ilha de Marajó, estado do Pará. Na comunidade onde vive, moram cerca de 120 índias, cuja principal luta é contra o tráfico sexual de mulheres. “O desenvolvimento sustentável também é bandeira da comunidade da Ilha, que possui o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) entre os municípios brasileiros”, explica.

Após graduar-se em Arquitetura, Édina Marajoara se especializou em Plantas Medicinais e em Medicina Chinesa. A pajé reuniu os tradicionais conhecimentos indígenas com aqueles obtidos na academia e, na 4ª CNPM, pôde dividir seu saber com mulheres dos mais diversos seguimentos. “Nós, indígenas, nunca tivemos tanta voz!”

 

Édina Marajoara“Nós, indígenas, nunca tivemos tanta voz!”. Foto por Paulo Negreiros.

Legenda: Édina Marajoara “Nós, indígenas, nunca tivemos tanta voz!”